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Césio-137 foi um acidente radioativo ou radiológico?

Após 30 anos, vítimas do acidente com césio-137 dizem sofrer com a falta de apoio médico A contaminação por Césio-137 que aconteceu em Goiânia foi um ac...

Césio-137 foi um acidente radioativo ou radiológico?
Césio-137 foi um acidente radioativo ou radiológico? (Foto: Reprodução)

Após 30 anos, vítimas do acidente com césio-137 dizem sofrer com a falta de apoio médico A contaminação por Césio-137 que aconteceu em Goiânia foi um acidente radioativo ou radiológico? A dúvida quanto à nomenclatura não é rara, tanto que foi tema de esclarecimento em um livro publicado pela Secretaria de Estado de Saúde de Goiás (SES), em 2024. A tragédia deixou quatro pessoas mortas e mais de mil afetadas e marcou para sempre a história da cidade e também do Brasil, por ser considerado o maior acidente fora de uma usina nuclear do mundo. Segundo os técnicos da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen), o acidente na capital goiana foi tanto radiológico, por ter envolvido um aparelho de radioterapia, quanto radioativo, em função da presença de material radioativo. Para se ter uma ideia do perigo representado pelo episódio, o acidente de 1987 foi classificado pela Cnen como nível 5 na Escala Internacional de Radiação (Ines, na sigla em inglês), que vai de 1 a 7. ✅ Clique e siga o canal do g1 GO no WhatsApp A classificação do acidente em Goiânia difere dos acidentes nucleares de Chernobyl, na Ucrânia, que aconteceu em 1986 (ou seja, um ano antes do do Brasil), e de Fukushima, ocorrido em 2011, no Japão. Ambos foram acidentes radioativos, de nível 7 da escala Ines, que aconteceram após os reatores nucleares das usinas terem sido danificados. No caso de Chernobyl, houve uma explosão do reator. Já em Fukushima, um terremoto seguido de um tsunami afetou os sistemas elétricos, provocando a fusão parcial do núcleo e o vazamento radioativo em vários reatores. O aparelho radiológico de Goiânia foi uma máquina considerada obsoleta, à época, cuja fonte radioativa era de Césio-137. Ela foi deixada para trás, em meio a ruínas do antigo Instituto Goiano de Radioterapia (IGR), Segundo a publicação da SES, a orientação da Cnen era que esse tipo de equipamento fosse substituído por versões mais modernas, que só produzissem radiação quando ligados a fontes de alta tensão, sendo, assim, mais seguras. Equipamento de radiologia onde foi encontrada a cápsula do Césio-137 Divulgação/Cnen LEIA TAMBÉM O que aconteceu com as vítimas do Césio-137? Césio-137: veja cronologia do maior acidente radiológico Césio-137: veja fotos e vídeos da época do acidente O abandono do aparelho no terreno localizado no Setor Central de Goiânia aconteceu quando o IGR se mudou do local, no final de 1985, após o terreno ter sido vendido pela Santa Casa de Misericórdia, a proprietária, para o Instituto de Previdência e Assistência Social do Estado de Goiás (IPAS). Esse cenário possibilitou que no dia 13 de setembro de 1987, quase dois anos depois, Wagner Mota Pereira e Roberto Santos Alves encontrassem o aparelho e o retirassem de lá, com o objetivo de vendê-lo a um ferro-velho, o que efetivamente foi feito. Pessoas passam por triagem e monitoramento de radiação durante atendimento no Estádio Olímpico após contaminação pelo Césio 137 Acervo/O Popular Cinco dias depois, Devair Alves Ferreira, dono de um ferro-velho localizado na Rua 26-A, no Setor Aeroporto, comprou a peça e a deixou em seu depósito. À noite, ao passar pelo pátio do local, ele percebeu a emissão de um brilho azul. Era o pó de Césio-137. Impressionado, Devair levou a peça para casa. Nos dias seguintes, a substância brilhante foi distribuída entre amigos e familiares que o visitaram. Começava ali a contaminação que exigiria, dias depois, triagem e monitoramento de mais de 112 mil pessoas e que levaria à morte de quatro, entre elas a sua sobrinha Leide das Neves Ferreira, de apenas 6 anos, e sua esposa Maria Gabriela Ferreira, responsável por evitar que a tragédia fosse ainda maior ao ter desconfiado de que havia algo errado com a substância, após as pessoas começarem a passar mal. Além das vítimas, o acidente gerou 6 mil toneladas de lixo radioativo, acumulado durante os trabalhos de descontaminação, o que incluiu roupas, utensílios domésticos e materiais de construção. Esses resíduos foram levadas para depósitos em Abadia de Goiás, distrito a cerca de 20 km da capital, onde foram enterrados e concretados. Pesquisadores acreditam que, mesmo com a redução da radiação nos resíduos, os riscos de contaminação só devem desaparecer totalmente após 200 anos. Quase 40 anos desde o acidente, o Césio-137 ainda marca a memória dos goianienses. A tragédia ganhou recentemente nova repercussão desde o lançamento de uma minissérie na Netflix, "Emergência Radioativa". 📱 Veja outras notícias da região no g1 Goiás.